Reinaldo deve engolir Pollon e Contar pode ser ignorado novamente por Bolsonaro

investiga ms wendell Reis


Contar pode fazer campanha sem dinheiro e Reinaldo, acostumado a dar ordens, pode ter prejuízo maior se decidir romper com Bolsonaro e vive um “se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”.

O fim de semana foi de recalcular a rota para Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL). A dupla começou a semana passada comemorando vazamento da lista de Flávio Bolsonaro, que indicava os dois como escolhidos para o Senado em MS, mas terminou com um balde de água fria, em uma carta de Jair Bolsonaro (PL) indicando Marcos Pollon (PL) como um dos escolhidos.

A reportagem do InvestigaMS já tinha antecipado, na semana passada, que uma vaga seria de Bolsonaro Reinaldo e Contar não teriam autonomia para decisão. Não demorou muito tempo para o ex-presidente anunciar a decisão e acabar com o mundo tranquilo dos ex-rivais em Mato Grosso do Sul.

Agora, Reinaldo ou Contar ficarão fora das asas de Bolsonaro e terão que engolir Marcos Pollon na coligação. A dupla ainda nao sabe quem será o excluído, mas tem certeza de que o prejuízo será inevitável.

Contar pode fazer campanha sem dinheiro

Capitão Contar vivia um mundo dos sonhos e pode ser o principal prejudicado com o anúncio. Anunciado por Valdemar como um dos escolhidos, ele faria uma campanha com apoio de Jair Bolsonaro, ainda que da prisão e com o dinheiro do PL, que tem o maior fundo partidário do País.

Se ficar fora da coligação, Contar não terá o dinheiro e nem o tempo de televisão do PL e terá uma vida um pouco mais difícil.

Esta não será a primeira vez que Contar será ignorado por Bolsonaro. A primeira aconteceu em 2022, na eleição para o governo, quando Bolsonaro escolheu aliança com Reinaldo e Riedel.

Na campanha, foi a vez de Bolsonaro trair Reinaldo e Riedel e anunciar em um debate nacional para presidência que o escolhido em MS era Contar.

No segundo turno, Bolsonaro foi proibido por Tereza Cristina de voltar a apoiar Contar, que acabou perdendo a eleição após um debate desastroso na semana da campanha.

Após a eleição, Contar era cotado para disputar a prefeitura de Campo Grande, mas Bolsonaro disse que ele deveria disputar outro cargo legislativo antes de concorrer para um executivo.

Contar ficou fora da eleição e esperava apoio para esse ano. Porém, quando foi procurar Bolsonaro, ouviu que deveria procurar Rodolfo Nogueira, que seria o responsável por conduzir a eleição para o PL no Estado. Ironicamente, Bolsonaro havia anunciado a esposa de Rodolfo, Gianni Nogueira, como sua possível candidata ao Senado no Estado.

Reinaldo sem saída

O ex-governador Reinaldo Azambuja também vive situação delicada. Acostumado a dar as ordens, ele agora vive sob liderança do comando nacional do partido e pode ser obrigado a engolir Pollon.

Reinaldo poderia sair do PL, alegando que o partido não cumpriu o acordo de escolher os melhores na pesquisa, mas o prejuízo poderia ser ainda pior.

Se deixar o PL, Reinaldo pode ter o partido e Jair Bolsonaro contra a reeleição de Riedel, tornando a situação ainda mais difícil. Esse rompimento poderia fortalecer a candidatura de João Henrique Catan (PL), que sem apoio do PL, sairá da legenda para ser candidato.

Sem o PL, João Henrique fará uma campanha sem tempo e sem dinheiro no Partido Novo. Porém, se Reinaldo chutar o balde, João Henrique ganha tempo, dinheiro e Bolsonaro, o que pode gerar um grande estrago para as pretensões do grupo governista.

Reinaldo tem como vantagem nesta disputa por espaço no PL o compromisso de Valdemar da Costa Neto de garantir a vaga dele e o apoio a Riedel.


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