A atual comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa de 37 anos, foi morta a tiros na madrugada desta segunda-feira (23), em Vitória. O namorado dela, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, foi o responsável pelo crime. Em seguida, ele tirou a própria vida.
Dayse foi morta com cinco tiros na cabeça por volta de 1h desta segunda-feira (23), na casa onde ela morava com o pai e a filha de 8 anos, no bairro Caratoíra, em Vitória. Depois do crime, Diego foi até a cozinha e tirou a própria vida.
De acordo com o delegado chefe do Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Fabrício Dutra, tudo indica que o caso se trate de um feminicídio.
Os celulares dos dois vão ser encaminhados para análise pericial para que possa ser descoberta a motivação para o crime.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Diego tralhava em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, e entrou na coorporação em 2020.
PRF usou escada para invadir a casa
Diego usou uma escada para invadir a casa e chegar até Dayse, que dormia no quarto da filha, por causa do aparelho de ar condicionado. Segundo o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, há indícios de que o crime tenha sido premeditado.
"A circunstância é que ele foi com o intuito de cometer o feminicídio. Ele levou materiais para entrar na residência e subir na marquise. Tudo indica que ele a pegou deitada, dormindo, e efetuou os disparos sem possibilidade de reação", afirmou o secretário Amarílio Boni.
Na mochila dele, a polícia encontrou um canivete, uma faca, um vidro de álcool, carregadores de munição, alicate e um esqueiro.
De acordo com o secretário, a vítima foi surpreendida enquanto dormia e não teve chance de se defender. A cena encontrada no quarto indica que ela ainda chegou a se levantar antes de ser atingida.
'No primeiro tiro, acordei', diz pai da comandante
O pai de Dayse, o aposentado Carlos Roberto Teixeira, estava em casa no momento crime. Ele contou que acordou ao ouvir o primeiro disparo.
"Não deu tempo de nada, ele entrou atirando. No primeiro tiro eu já acordei. Abri a porta devagarzinho, olhei, vi ele correndo, mas não deu pra sair, fiquei com medo de tomar um tiro também”, relatou o pai.
De acordo com Carlos, o crime foi motivado pela tentativa da filha de encerrar o relacionamento.
O velório da comandante vai acontecer a partir das 15h30, desta segunda-feira (23), e o sepultamento está previsto para às 17h.
Relacionamento marcado por violência
Segundo o pai, Dayse e o policial se conheciam há cerca de quatro anos e mantinham um relacionamento marcado por violência.
Apesar das situações relatadas, ele afirmou que a filha nunca registrou denúncia formal sobre as agressões sofridas.
"Era uma relação conturbada, dois dias bons e quatro dias ruins. Eu já tinha presenciado brigas, já tirei ele de cima dela, uma vez flagrei ele tentando enforcar a Dayse", contou.
Dayse foi a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal da capital. Ela deixa uma filha de 8 anos. Os colegas definiram a comandante como uma mulher "resolutiva, alegre e sempre disposta a ajudar as pessoas".
Investigações
Uma equipe da Polícia Científica esteve na casa da comandante para realizar a perícia e conversou com familiares.
O caso vai ser investigado pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) de Vitória.
Em nota, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) manifestou pesar pelo falecimento da comandante. Leia a nota da íntegra:
"A Polícia Rodoviária Federal (PRF) manifesta enorme pesar pelo falecimento de Dayse Barbosa Matos, comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória (ES), em ocorrência de homicídio e autoextermínio que também resultou na morte do Policial Rodoviário Federal Diego Oliveira de Sousa, lotado na Delegacia da PRF em Campos dos Goytacazes (RJ).
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