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Gilmar Mendes manda Soraya explicar acusação de estupro de vulnerável contra deputado do PL
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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a senadora Soraya Thronicke (PSB) explique a acusação de estupro de vulnerável contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). O bolsonarista entrou com queixa-crime no STF contra a parlamentar sul-mato-grossense por calúnia e injúria.
A briga judicial teve início no dia da leitura do relatório final da CPMI do INSS, em 27 de março. Soraya e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) denunciaram Gaspar à Polícia Federal. Desde então, a senadora cobra que o ex-relator da comissão de inquérito se submeta a um exame de DNA para comprovar não ser o pai do filho de uma jovem que engravidou aos 13 anos. Atualmente, a criança tem 8 anos e a mãe, 21 anos.
Em retaliação às acusações, o diretório nacional do PL pediu a cassação do mandato de Soraya ao Conselho de Ética do Senado por calúnia e “evidente quebra de decoro parlamentar”.
Na representação no STF, o deputado federal Alfredo Gaspar relata que, durante audiência na CPMI do INSS, Lindbergh o teria chamado de “seu estuprador”.
Gilmar Mendes, em despacho na última quinta-feira (16), mandou intimar Soraya Thronicke e Lindbergh Farias para responderem à queixa-crime do bolsonarista. A dupla tem 15 dias para apresentar as manifestações.
A história
Lindbergh e Soraya informaram ter recebido registros documentais e conversas indicando a prática de estupro de vulnerável contra uma menina que tinha 13 anos à época dos fatos. O documento não diz de que ano é a suspeita do crime. Os congressistas afirmam ter recebido relato de que, da violência, a adolescente engravidou e posteriormente deu à luz a uma criança.
Foram encaminhados ao deputado e à senadora prints de conversas e informações segundo as quais uma pessoa atuou como intermediadora em tratativas mantidas com Gaspar para encobrir o caso. Segundo os congressistas, a negociação era de R$ 470 mil “com a finalidade de impedir que o fato fosse comunicado às autoridades”.
Com a repercussão da denúncia, Gaspar afirmou se tratar de caso envolvendo a filha de um primo e mostrou um exame de DNA que, segundo ele, confirma não ser sua filha. Soraya disse que o documento apresentado não esclarece a situação.
A senadora sul-mato-grossense afirmou ainda que pedirá desculpas públicas ao deputado federal Alfredo Gaspar caso o exame de DNA não confirme a acusação de estupro feita contra o parlamentar. Porém, defende que a denúncia se baseia em um dossiê com “indícios seríssimos” e que recebeu um “pedido de socorro” em seu gabinete. Diante da natureza da acusação, ela ressaltou que não havia outra alternativa além de provocar a ação da Polícia Federal.
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