Editorias / Investigação
Alan Guedes na mira da Gaego: Contratos de R$ 13 milhões com editora alvo de operação foram feitos na gestão de Alan
Politica Voz Allyson Leguizamon
A Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco, trouxe à tona um dado que precisa ser explicado com clareza à população de Dourados: os contratos milionários com a Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços, conhecida como Editora Avante, foram firmados durante a gestão do ex-prefeito Alan Guedes.
Segundo informações divulgadas, Dourados foi o município que mais gastou sem licitação com a empresa agora investigada. Ao todo, foram R$ 13 milhões em contratos, divididos em dois acordos: um de R$ 4,3 milhões, em setembro de 2023, e outro de R$ 8,6 milhões, em julho de 2024.
Ou seja, os contratos nasceram na administração passada.
Enquanto a atual gestão precisa lidar com as consequências e cobranças públicas, os documentos apontam que a origem dessa bomba milionária está no período em que Alan Guedes comandava a Prefeitura de Dourados.
O caso é grave. De acordo com a investigação do Gaeco, o grupo ligado à editora teria atuado para cooptar servidores públicos, fraudar e direcionar compras públicas voltadas à aquisição de livros. Os valores repassados pelos cofres públicos ao esquema investigado chegariam a R$ 27 milhões.
E Dourados aparece no centro dessa história com um peso enorme: sozinha, a cidade responde por mais da metade dos R$ 22,1 milhões em contratos citados entre prefeituras sul-mato-grossenses que compraram livros paradidáticos da empresa sem licitação.
A pergunta que fica é inevitável: como Dourados chegou a liderar esse ranking vergonhoso?
Mais do que números, o caso expõe uma herança indigesta deixada pela gestão Alan Guedes. Foram milhões de reais em compras sem licitação com uma editora que agora está na mira de uma operação contra suspeitas de fraude, direcionamento e organização criminosa.
A população de Dourados merece respostas. Quem autorizou? Quem justificou a dispensa de licitação? Quem fiscalizou? Quem atestou a necessidade dessas compras? E por que justamente Dourados se tornou o município com o maior volume de gastos com a empresa investigada?
Não se trata de coincidência política. Trata-se de responsabilidade pública.
Alan Guedes precisa explicar à população por que sua gestão colocou Dourados no topo dos gastos com uma editora que hoje é alvo do Gaeco. A cidade não pode aceitar que um rombo moral dessa proporção seja tratado como detalhe administrativo.
A atual gestão herdou uma bomba. Mas quem acendeu o pavio foi a administração anterior.
Dourados precisa virar essa página com transparência, investigação e responsabilização. Porque R$ 13 milhões em contratos sem licitação não podem ser esquecidos. E muito menos empurrados para debaixo do tapete.
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