Ex-prefeito Jean tem contratos de sua gestão investigados pelo Gaeco; valores ultrapassam R$ 710 mil

Da Redação


Mais uma vez, Douradina aparece em investigação do Ministério Público; contratos da gestão do ex-prefeito somam mais de R$ 710 mil e são analisados na Operação Gutenberg.

A gestão do ex-prefeito Jean está entre as citadas na Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que apura um suposto esquema de fraudes em contratos para aquisição de livros didáticos em Mato Grosso do Sul. Em Douradina, dois contratos firmados pela Prefeitura durante sua administração somam R$ 710.667,10 e estão entre os documentos analisados pelos investigadores.

Conforme relatório do Gaeco, o primeiro contrato foi firmado em outubro de 2022, no valor de R$ 336.075,10, para a aquisição de livros pedagógicos. O segundo, celebrado em 2024, totalizou R$ 374.592,00, também destinado à compra de materiais educacionais. Juntos, os contratos ultrapassam R$ 710 mil.

As investigações apontam que a Editora Avante e empresas ligadas ao mesmo grupo são suspeitas de integrar um esquema que teria movimentado cerca de R$ 27 milhões em recursos públicos por meio de contratos firmados com 17 municípios de Mato Grosso do Sul. Segundo o Ministério Público, parte dessas contratações foi realizada por meio de inexigibilidade de licitação, modalidade que, conforme o Gaeco, teria sido utilizada de forma irregular.

No relatório da Operação Gutenberg, os investigadores afirmam que a justificativa de exclusividade dos materiais fornecidos pela Editora Avante “não passou de tentativa de conferir ares de legalidade às fraudulentas contratações milionárias”. A investigação também aponta que a dentista Rossana Paroschi Jafar seria a verdadeira responsável pela empresa, que inicialmente foi registrada em nome de Rhayane Souza Fanaia.

O Gaeco ainda sustenta que o esquema contava com a participação do ex-chefe da Regulação da Saúde de Mato Grosso do Sul, Ed Carlo Britto Burgatt, preso durante a operação. Conforme a investigação, ele utilizava a influência sobre a liberação de exames e internações como forma de pressionar gestores municipais a contratar as editoras investigadas.

A Operação Gutenberg cumpriu 14 mandados de prisão e 40 mandados de busca e apreensão, além da apreensão de mais de R$ 200 mil em dinheiro e aproximadamente R$ 3 milhões em cheques durante a ofensiva realizada pelo Ministério Público.

As investigações continuam em andamento e buscam esclarecer a legalidade dos contratos firmados pelos municípios envolvidos, entre eles Douradina. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre os contratos celebrados durante a gestão do ex-prefeito Jean. O espaço permanece aberto para manifestação do ex-prefeito e dos demais citados na investigação.


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