Editorias / CAARAPÓ
André Nezzi e Capovilla se odeiam em público, mas aparecem como amiguinhos em ação penal
Da Redação
Ex-prefeito chamou vereador de estelionatário, rato de esgoto, ladrão de carta-frete depois de ter sido acusado de desvio de recursos públicos para bancar time de futebol e para sustentar amante, mas agora indica o parlamentar como testemunha de defesa em ação penal movida por Fernanda Lima Martins.
Tem certas coisas que só acontecem com a classe política de Caarapó. Depois de ser acusado pelo vereador Celso Capovilla de ter desviado dinheiro público para manter mordomias de time de futebol e para pagar as contas de uma suposta amante e ter respondido que o parlamentar “não tinha moral para ataca-lo porque era estelionatário, analfabeto funcional, rato de esgoto, cachorro vira lata, ladrão de carta-frete”, o ex-prefeito André Nezzi agora coloca o parlamentar como sua principal testemunha de defesa na ação penal movida contra ele por Fernanda Lima Martins.
Quem acompanhou a troca de acusações públicas entre os dois políticos imaginou que o embate poderia terminar de forma violenta, mas pelo que seu viu na resposta à acusação apresentada na ação penal nº 0800275-36.2025.8.12.0031 é que ambos se odeiam em público, mas são amiguinhos na vida privada. A pergunta que a população de Caarapó está fazendo é uma só: como pode um adversário ser indicado como testemunha de defesa do outro?
Esse comportamento dúbio levou as pessoas a ilações que somente a política pode construir: será que houve um acerto financeiro entre Nezzi e Capovilla ou a paz foi selada em nome de algum interesse político-eleitoral em tempos de campanha? Não é possível que alguém que acusou o outro de ter utilizado recursos públicos de forma irregular, dizendo textualmente a existência de repasse de R$ 15 mil via PIX para uma amante, agora posar de testemunha de defesa do ex-prefeito.
Da mesma forma, aquele que classificou o outro de criminoso contumaz, com processos penais em quatro cidades de Mato Grosso do Sul, entre outros ataques à honra, agora aponte precise do adversário como testemunha de defesa em uma ação penal. Quem tiver dúvidas basta acessar o site do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, clicar na aba eSaj, ir em pesquisar processo e digitar o número 0800275-36.2025.8.12.0031 para ter acesso à ação penal movida por Fernanda Lima Martins contra o ex-prefeito André Nezzi. O processo é público e pode ser acessado por qualquer pessoa!
Para tentar escapar da condenação, o ex-prefeito sustenta erro processual, sobretudo na procuração outorgada para o oferecimento de queixa-crime, mas em momento algum ele nega que tenha atacado a honra de Fernanda Lima Martins ao acusar a mesma pela prática de nepotismo, atacando a vida pessoal e proferindo expressões ameaçadoras contra uma mulher.
A queixa-crime protocolada por Fernanda Lima Martins foi aceita pela Justiça e amparada pelo Ministério Público Estadual, tornando o ex-prefeito André Nezzi como réu na ação penal. No desespero e na tentativa de escapar de uma condenação, Nezzi recorreu ao antigo adversário que, de uma hora para outra, virou amiguinho para ser testemunha de defesa.
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