Por falta de pagamento, clínica ameaça suspender atendimento a usuários da Cassems

Da Redação


 Clínica Ultracardio, que atende na região do município de Coxim, especializada em cardiologia e outras especialidades médicas, anunciou a suspensão de novos atendimentos para beneficiários da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul), a partir de 17 de agosto e abrange novas consultas e exames eletivos.

O comunicado foi divulgado nas redes sociais da clínica e informa que os pacientes que tiverem dúvidas podem entrar em contato pelos canais de atendimento da unidade. Além disso, o aviso afirma que a suspensão ocorre em razão de “inadimplência acumulada de vários meses” por parte da operadora.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Cassems, que por meio de nota informou que os pagamentos referentes à clínica estão devidamente regularizados.

“A Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems) informa que os pagamentos referentes à Clínica Ultracardio estão devidamente regularizados. A Cassems reitera que atua em estrita conformidade com as exigências regulatórias da ANS, garantindo a sustentabilidade financeira do plano e, acima de tudo, a continuidade do atendimento de excelência aos servidores e seus familiares”, afirma a nota.

Importante destacar que a suspensão acontece em um momento de forte desgaste envolvendo a Cassems. Desde maio, a caixa de assistência passou a enfrentar uma série de ações judiciais após anunciar reajuste de 1.185% na chamada “taxa de cônjuge”.

A cobrança, que era de R$ 35, saltou para R$ 450 e, desde então, segue sendo alvo de contestação por entidades representativas dos servidores públicos.

Entre os autores das ações estão o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ladário, o Simted de Corumbá (Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação) e o Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul.

Antes de decidir sobre os pedidos de liminar para suspender o reajuste, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, determinou que a Cassems seja ouvida.

Na decisão, o magistrado destacou que, apesar de a Cassems não ser uma pessoa jurídica de direito público, o tema possui relevante interesse coletivo, já que envolve milhares de beneficiários do plano de saúde no estado.

Justificativa da Cassems

Ao defender o reajuste, a Cassems afirma que a medida busca reduzir o déficit financeiro gerado pelo atendimento aos dependentes cônjuges.

Segundo dados apresentados pela operadora, em 2025 a arrecadação com essa contribuição foi de R$ 61 milhões, enquanto as despesas com assistência médica aos cônjuges chegaram a R$ 250 milhões, resultando em um déficit de R$ 181 milhões.

O fato é que a suspensão dos atendimentos amplia a pressão sobre a Cassems, que, além das discussões judiciais envolvendo o reajuste da taxa de cônjuge, agora passa a enfrentar reflexos na rede prestadora de serviços, com a interrupção de atendimentos anunciada por uma clínica credenciada.


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