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Menores apreendidos eram lideranças de grupo que atraia vítimas para desafios virtuais
Dourados News Adriano Moretto, com PCMS
Coletiva realizada na manhã desta quinta-feira (17/9), em Campo Grande, revelou detalhes da segunda fase da Operação Lívia, desencadeada na terça-feira (15/9), em Mato Grosso do Sul e outras cinco Unidades da Federação, resultando na apreensão de seis adolescentes.
Conforme as investigações, eles exerciam funções de liderança na hierarquia do grupo, criado para cooptar vítimas para rituais de violência virtual.
As ações fazem parte dos trabalhos desencadeados para apurar a morte de adolescente de 13 anos em Naviraí. O caso ocorreu em maio deste ano, após ela ser ‘desafiada’ pelo grupo a realizar desafios e tirar a própria vida.
Segundo a delegada Anne Karine Trevizan, titular da Depca (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), as medidas cautelares desenvolvidas nesta segunda fase da operação foram cumpridas com apoio do Ciberlab/MJ (Ministério da Justiça) e de unidades da Polícia Civil de outros Estados.
De acordo com ela, os adolescentes apreendidos exerciam funções de liderança em comunidades virtuais, conhecidas entre os próprios integrantes como “panelas”.
As investigações apontaram a existência de uma estrutura hierarquizada nesses grupos, com integrantes responsáveis por diferentes funções, incluindo a atração e cooptação de novas vítimas.
Na prática, os grupos utilizavam plataformas digitais abertas e redes sociais para estabelecer contato com adolescentes em situação de vulnerabilidade através de perfis falsos, com a construção de uma relação de confiança e posterior obtenção de informações pessoais e familiares utilizadas para ameaçar e coagir as pessoas.
A investigação identificou o uso de diferentes plataformas digitais pelos envolvidos, entre elas Zangi, Telegram, Discord e Instagram, sendo que a morte da adolescente foi transmitida tanto pelo Discord, como pelo Instagram.
A análise dos aparelhos apreendidos também revelou indícios de que outras adolescentes foram vítimas desses grupos, especialmente em situações envolvendo automutilação e outras formas de violência.
Investigações continuam
De acordo com a Polícia Civil, todo o material apreendido continuará sendo submetido à análise, procedimento que poderá revelar novos participantes, outras vítimas e eventual prática de crimes em diferentes estados.
Na soma das duas fases da Operação Lívia, o balanço apresenta 11 adolescentes apreendidos e um adulto preso. Esse último responde, conforme informado pela Polícia Civil, por homicídio qualificado, organização criminosa e maus-tratos contra animais.
Em relação aos adolescentes, a responsabilização ocorre por atos infracionais.
Os seis adolescentes apreendidos nesta segunda fase têm entre 13 e 17 anos e permanecem sob custódia, cabendo ao Poder Judiciário deliberar sobre as medidas aplicáveis.
A internação provisória, quando determinada, tem prazo de até 45 dias, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.
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