Olho no olho, Riedel e Fábio trocam farpas sobre Vorcaro, fake news, corrupção e malas

O jacaré Edivaldo Bitencourt


Os candidatos a governador, Eduardo Riedel (PP) e Fábio Trad (PT), trocaram farpas e acusações ao promover embate “olho no olho” durante o debate da TV Morena, realizado na noite desta terça-feira (29). Ao longo mais de duas horas, o banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master, corrupção, funcionário fantasma, malas em jatinho da JBS e fake news foram usados no ataque e contra-ataque entre os dois candidatos.

A TV Morena reuniu quatro dos oito candidatos a governador. O economista Renato Gomes (DC) usou megafone para protestar contra o boicote na porta da emissora no Jardim TV Morena.

João Henrique Catan (Novo) levou liminar do ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que incluía os candidatos do seu partido nos debates, mas a emissora não acatou a decisão do ministro.

Delcídio do Amaral (PRD) e Lucien Rezende (PSOL) participaram do debate, mas foram coadjuvantes no confronto entre o governador e o ex-presidente da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil, secional de Mato Grosso do Sul). Eles fizeram críticas, mas foram mais diplomáticos com o governador.

Vorcaro e Embratur

O debate esquentou logo na abertura, quando Fábio questionou o governador sobre a participação de evento em Nova Iorque, que teve a participação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O petista lembrou das denúncias de corrupção na saúde e na Santa Casa e questionou sobre o suposto encontro com Vorcaro nos Estados Unidos.

Reidel afirmou que há combate efetivo à corrupção, como o recebimento de 7.373 denúncias e o papel da Controladoria Geral do Estado. “O Governo é totalmente intolerante com a corrupção”, destacou. Ele citou a punição de 189 empresas e aplicação de R$ 25 milhões em multas.

Em seguida, o governador contra-atacou ao questionar o candidato sobre o seu emprego na Embratur. “Qual o seu emprego na Embratur? Você propaga fake news”, acusou o governador.

Em seguida, Fábio dobrou a aposta e afirmou que o governador esteve com Vorcaro em Nova Iorque. “Você trouxe para o coração do seu Governo, com o CredCesta”, afirmou, para em seguida, citar que centenas de famílias de servidores foram arruinadas pelo programa. Também citou que o governador ajudou na eleição de Adriane Lopes, atual prefeita de Campo Grande.

“Pensa só em ataques. Não estive com Vorcaro em Nova Iorque”, reagiu Riedel, negando encontro com o dono do Master. Em seguida, ele citou que Fábio trabalho em home office na Embratur, que tinha 250 funcionários fantasmas.

O governador acusou o petista de propagar fake news. “Você jurou defender valores como advogado, ex-presidente da OAB. É uma vergonha”, atacou Riedel. Ele ainda falou que conseguiu direito de respostas no programa eleitoral do adversário.

Delcídio tentou entrar no bombardeio e lembrou que o ensino médio de Mato Grosso do Sul teve desempenho abaixo da média nacional no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Ele lamentou que o Estado atraiu grandes empresas, mas devido a falta de mão de obra qualificada, precisa contratar trabalhadores com os maiores salários de fora.

Lucien e Fábio usaram o tempo para atacar Jair Bolsonaro (PL), “que não conseguiu construir nenhuma casa em Mato Grosso do Sul”. “O presidente Lula entregou muitas casas em MS. A situação é gravíssima”, lamentou Fábio. Ele disse que o déficit habitacional é de 78 mil moradias. “O Estado cresceu quatro vezes mais que o Brasil, mas tem 78 mil pessoas sem casa”, lamentou.

O candidato do PSOL denunciou que a Agraer não assentou nenhuma família pelo crédito fundiário. A agência estaria sem recursos para realizar análise da terra para pequenos produtores e até sem combustível para atender a agricultura familiar.

Malas de Rodrigo e Lula

Em mais um confronto, Fábio questionou o governador sobre as malas de dinheiro carregadas pelo secretário de Governo, Rodrigo Peres, ao deixar um jatinho da JBS. “Riedel, o que tinha nas malas do Rodrigo Peres que desceu do avião da JBS?”, questionou Fábio ao concluir uma abordagem sobre a educação.

O governador aproveitou o seu tempo para responder ao petista. “A Justiça vai responder sobre as malas, candidato”, ponderou. Em seguida, Riedel incluiu Lula no debate para acusar o Governo federal pela não retomada do transporte ferroviário em Mato Grosso do Sul. “A ferrovia, o Governo Lula não conseguiu licitar até hoje. O Lula não relicita a Malha Oeste”, atacou.

“Quando o Lula está longe, o Riedel critica. Quando está lado, como para assinar o empréstimo de R$ 1 bilhão para investir nas estradas, é um estadista”, respondeu Fábio. E aproveitou para responder sobre o emprego na Embratur. Ele disse que tem currículo e competência para o emprego na Embratur. Em seguida, ele acusou o governador de dar emprego para a esposa de um senador do Acre, que seria prima de uma candidata à deputada federal e insinuou que a mulher poderia ser funcionária fantasma.

Ao falar sobre a saúde, Delcídio disse que a promessa de regionalização existe desde 2014, quando foi candidato a governador pela 2ª vez, mas o problema não foi solucionado até hoje. Riedel contestou e garantiu que tem implementado programa, que tem quatro hospitais regionais (Campo Grande, Ponta Porã, Dourados e Três Lagoas) e um programa com 64 hospitais para atender todos os municípios. Ele citou que a Telemedicina já atendeu 112 mil pacientes neste ano.

Outro ponto foi a proposta de Reinaldo Azambuja (PL), de acabar com o Ministério do Meio Ambiente. Fábio classificou a proposta como “visão retrógrada” e procurou ligar Riedel ao antecessor. “Eles querem submeter o meio ambiente ao desenvolvimento econômico, mas se não respeitar, perde os dois”, alertou.

Fake news, feminicídio e facções

Riedel decidiu “puxar a orelha” do adversário e acusou o petista de propagar “inverdade”. “Vou me dirigir ao Fábio para se ater a propostas, não marchar sua biografia com fake news”, aconselhou o governador.

O ex-presidente da OAB/MS reagiu e pediu para o pepista: “olhe nos meus olhos”. E disse que ninguém poderia adverti-lo após a morte do pai, o ex-deputado federal Nelson Trad. “Eu só perguntei Riedel, não afirmei”, destacou, sobre as malas e o banqueiro Daniel Vorcaro.

“É fake news dizer que a saúde não está boa, que o estado está ausente onde as facções estão avançando”, acusou. Em seguida, ele disse que o atual governo tem sido incompetente em combater o crime organizado e impedir o avanço de facções. Ele propôs construir um centro de inteligência, integrado por todas as policiais estaduais e federais, para combater o crime organizado e usar a inteligência para estrangular as finanças das organizações criminosas.

Na primeira oportunidade, o governador reagiu ao petista. “Olhar no olho. Não estou advertindo. A Justiça Eleitoral o condenou por fake news”, reagiu Riedel, para justificar os ataques.

Fábio, Delcídio e Lucien destacaram as altas taxas de feminicídio no Estado e criticaram o atual Governo. “Riedel diz que combate o feminicídio,mas só chega com a mulher no caixão”, acusou Fábio.

“Não vamos tolerar nenhum caso de corrupção”, destacou Riedel. Ele ainda lamentou a onda de escândalos no País. “Olha o Brasil no que virou, olha a suprema corte no que virou”, lamentou o governador, sobre os escândalos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Nunes Marques e Luiz Fux.

Lucien lamentou que a corrupção vem sendo normalizada no País. “Tem prefeito trabalhando de tornozeleira”, citou, sobre o prefeito de Terenos, Henrique Wancura (PSDB), que obteve habeas corpus no STJ para voltar ao cargo após ser afastado pelo desvio de R$ 10 milhões.

A eleição

No próximo domingo (4), o eleitor vai decidir o futuro de Mato Grosso do Sul e oito candidatos estão na disputa. Além dos quatro participantes do debate, os dois indignados com a exclusão, a disputa conta com Daniel Lemes (PCO) e Jeferson Bezerra (Agir).


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