Azambuja, Bernal, Olarte e Nelsinho são citados em delação com pagamento de propinas

O jacaré Priscilla Peres


Políticos do alto escalão de Mato Grosso do Sul foram citados em uma delação premiada envolvendo a companhia de saneamento Aegea, como tendo recebido propina do grupo para pagar dívidas de campanha, em troca de manter a concessão de água e esgoto em Campo Grande. Reinaldo Azambuja, Alcides Bernal, Gilmar Olarte e Nelsinho Trad foram citados.

A delação com depoimento do ex-presidente da companhia, Hamilton Amadeo, homologada no Superior Tribunal de Justiça, cita o pagamento de propina como meio do crescimento exponencial do grupo Aegea no Brasil. Os detalhes do documento, em sigilo, foram publicados em reportagem do Portal Uol Prime e detalham esquemas de pagamento de propina em Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande, Amadeu contou que fez acordos ilegais com o ex-prefeito Nelsinho Trad (PSD) e seus sucessores, Alcides Bernal (PP) e Gilmar Olarte (sem partido), além do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL).

Conforme relato do UOL, os primeiros pagamentos de propina em Campo Grande começaram junto com a concessão, em meados de 2010, quando a empresa teria recebido “pressão” do empresário João Amorim, como intermediário, para fazer pagamentos destinados a formar caixa para a campanha do sucessor de Nelsinho Trad.

Amadeu afirma que pagou R$ 30 milhões até 2015 para a campanha do PMDB a prefeitura, com ajuda de notas frias emitidas por João Amorim, que cobrava 25% do acerto. “O ex-consultor Carlos Antonio Berner disse aos procuradores que elaborou oito contratos fictícios entre 2011 e 2015, totalizando R$ 30 milhões em que simulava a locação de equipamentos junto às empresas Proteco e ASE, ambas de João Amorim”, diz a reportagem.

O empresário João Alberto Krampe Amorim dos Santos foi investigado, denunciado e preso na Operação Lama Asfáltica, da Polícia Federal, que também aponta envolvimento com corrupção em obras públicas

Mas o candidato do PMDB, Edson Girotto perdeu a eleição para Alcides Bernal e seu vive Gilmar Olarte e os pagamentos de propina continuaram. Amadeu contou que autorizou pagamento de R$ 3 milhões para quitar dividas de campanha de Olarte e R$ 4 milhões para a campanha de Bernal.

Amadeo contou que entregou a Bernal a chave de um Fiat Uno onde estavam guardados pacotes de dinheiro. Segundo o ex-CEO, a entrega da propina ocorreu em uma casa na avenida Calógeras, no centro de Campo Grande.

Com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) o esquema teria sido o mesmo. Foram negociados R$ 2 milhões para pagar dívidas de campanha, em uma reunião entre o ex-presidente Amadeo e Azambuja, em seu apartamento em Campo Grande. E o pagamento, feito por meio de notas frias das empresas Equipe Engenharia Ltda. e HL Construtora Ltda, segundo o delator.

Envolvidos negam denúncias

Procurados pelo Portal Uol, todos os envolvidos negaram participação. Nelsinho Trad disse não conhecer o conteúdo da delação e que não há nada no STJ envolvendo seu nome e as declarações mencionadas. Alcides Bernal, disse ao UOL que os dirigentes da Aegea comportavam-se como seus adversários políticos e mentem na delação. “Esse pessoal sempre foi contra mim. Nunca recebi um centavo desse povo”.

Já Reinaldo Azambuja disse que nunca pediu nem recebeu R$ 2 milhões da da Aegea ou da Equipav e que não se lembra de ter participado da reunião citada pelo delator. “Nunca fiz tratativa nenhuma em 2015 sobre dívida de campanha nem com ele e nem com ninguém”, afirmou.


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