Ficha-suja até 2032, ex-prefeito ganha cargo de presidente do PSDB e monta ‘gabinete paralelo’ no PL

investiga ms wendell Reis


Alvo do GAECO e condenado por fraudes, ex-prefeito ganhou cargo na Câmara Federal e tem no currículo condenação por nepotismo e desvio de vacina de indígenas.

O ex-prefeito de Nioaque e ex-presidente da Assomasul, Valdir Couto de Souza Júnior, recém-condenado à inelegibilidade até 2032, encontrou um confortável e lucrativo refúgio em gabinete de Brasília.

Valdir Júnior foi nomeado em cargo de altíssimo escalão, como Secretário Parlamentar SP21 (salário em torno de R$ 10 mil de acordo com o Portal da Transparência), no gabinete do deputado federal Beto Pereira (PSDB), presidente do diretório estadual do ninho tucano.

No entanto, segundo denúncia do deputado estadual João Henrique Catan (PL), o ex-prefeito dá expediente em uma sala dentro do diretório regional do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso do Sul. O fato foi confirmado por outros “liberais” que encontram o ex-prefeito despachando de sua confortável sala no bunker bolsonarista em MS.

Valdir se filiou ao partido em setembro do ano passado, junto do atual presidente local, Reinaldo Azambuja. O funcionário do deputado federal tucano atua como um “despachante político” dentro da sede de outro partido, recebendo prefeitos e vereadores para costurar apoios no interior.

O que torna o gabinete “tucano liberal” mais vistoso é a ficha de processos que os dirigentes partidários e padrinhos de Valdir Júnior decidiram ignorar. Confira a pequena lista:

Compra de Votos (inelegível até 2032): Em janeiro de 2026, a Justiça Eleitoral o condenou a 8 anos de inelegibilidade e multa de R$ 50 mil. Valdir orquestrou 59 contratações temporárias ilegais às vésperas da eleição de 2024 para inchar a máquina e favorecer seus aliados.

Teste da orelhinha: A gestão do ex-prefeito é alvo da Operação Auditus do GAECO por suspeita de desvios de R$ 3 milhões na Saúde. O esquema envolvia a cobrança de exames fantasmas em recém-nascidos da rede pública, em Nioaque e Jardim, que jamais foram realizados.

Cabide familiar: Em dezembro de 2025, foi condenado por improbidade administrativa envolvendo nepotismo. Ele havia nomeado a própria cunhada para cuidar da Merenda Escolar e a esposa do seu Chefe de Gabinete para a Coordenação de Atenção Básica na Saúde.

Fura-Fila da aldeia: No auge da pandemia do covid 19, em 2021, Valdir Junior protagonizou uma vergonha moral: tomou vacinas contra a Covid-19 que eram destinadas exclusivamente a indígenas vulneráveis. Flagrado, o Ministério Público o forçou a pagar R$ 22 mil de multa e a publicar uma nota confessando a burla.

Prefeitura particular: É alvo de inquérito por sequestrar as redes sociais e o site oficial de Nioaque, transformando a comunicação da prefeitura em um panfleto eleitoreiro para autopromoção.

O gabinete mostra que o PL e o PSDB ainda não definiram como lidar com a direita em Mato Grosso do Sul e tem trazido encaixes e conchavos que podem refletir na urna.


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