Ex-diretora de Licitações de Bonito investigada por corrupção tenta reaver iPhone

Midia Max Adriel Mattos


A Justiça negou pedido da defesa da ex-diretora do Departamento de Licitação da Prefeitura de Bonito, Luciane Cinthia Pazette, e manteve o bloqueio dos bens dela no âmbito da investigação sobre fraude a licitações.

A defesa havia pedido a devolução de dois telefones celulares, um Apple iPhone 15 Pro Max e um Motorola Moto E7. A tese é de que, como os aparelhos foram apreendidos para análise de dados há mais de dois meses, já poderiam ser entregues.

Mas, para o juiz Antonio Adonis Mourão Júnior, da 2ª Vara de Bonito, não havia como liberar os itens sem comprometer a investigação.

“Não procede o pedido de devolução após a realização da perícia, pois a simples conclusão de exame técnico não esgota, por si só, a utilidade processual do bem, sobretudo quando os fatos ainda necessitam de melhor esclarecimento ao longo da instrução, podendo surgir a necessidade de complementação pericial ou de reavaliação do material apreendido”, avaliou.

Operação Águas Turvas mira organização criminosa que fraudava licitações em Bonito

Em 7 de outubro de 2025, o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), do MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), deflagrou a Operação Águas Turvas, contra uma organização criminosa que teria fraudado licitações que somam R$ 4.397.966,86.

Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em Bonito, Campo Grande, Terenos e Curitiba (PR). Agentes estiveram na Prefeitura Municipal de Bonito.

Foram presos: o ex-secretário de Administração e Finanças de Bonito Edilberto Cruz Gonçalves; a diretora do setor de Licitações, Luciane Cintia Pazette; o empreiteiro Genilton da Silva Moreira; o empresário Carlos Henrique Sanches Corrêa; e o corretor de imóveis Luis Fernando Xavier Duarte — que foi solto após pagar fiança por porte de arma.

A investigação do Gecoc identificou um grupo que atuava fraudando constantemente licitações de obras e serviços de engenharia em Bonito desde 2021. São vários certames fraudados simulando concorrência e prevendo exigências para favorecer as empresas investigadas.

Servidores públicos integravam o esquema e repassavam informações privilegiadas a empresários, além de organizarem a fraude licitatória para ajudar as empreiteiras a vencerem. Em troca, recebiam vantagens indevidas.

Diretora de Licitações pediu ‘brinde’ em nome de marido vereador após ajudar empreiteiro

A diretora do setor de Licitações da Prefeitura de Bonito, Luciane Cintia Pazette, pediu “brinde” ao empreiteiro Genilton Moreira da Silva — também preso — por “ajudá-lo” em licitações no município.

Conforme relatório de investigação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), no dia 3 de maio de 2022, Luciane envia, pelo WhatsApp, documento de licitação a Genilton e alerta: “Olha o valor”.

Na sequência, o empresário solicita a planilha da licitação. Mas a servidora informa que, assim que tiver, vai enviar. Os dois se tratam como ‘comadres’ e, segundo o Gecoc, tinham relação próxima.

Mais tarde, no mesmo dia, Luciane envia mensagem a Genilton pedindo um ‘brinde legar’ que, segundo ela, seria para ‘fazer política para meu marido’, o vereador Pedro Aparecido Rosário, o Pedrinho da Marambaia.

Em julho, a então diretora do setor de Licitações pede novamente a doação de brindes e envia imagem de produtos. Em seguida, o empreiteiro faz pagamento de R$ 120 pelos brindes.

Para o Gecoc, ficou claro que Luciane ajudava Genilton nas licitações do município: “Como demonstrado, Genilton da Silva Moreira exerce considerável influência no setor de licitação do Município de Bonito, o que se evidencia, sobretudo, pela estreita relação que mantém com a servidora pública Luciane Cintia Pazette. As evidências demonstraram que a servidora atua visando atender e/ou beneficiar o empresário em processos licitatórios, bem como na execução das obras adjudicadas a ele”.

À reportagem do Jornal Midiamax, o vereador Pedrinho da Marambaia afirmou desconhecer tais brindes solicitados pela esposa e disse confiar na inocência dela: “Pessoa correta, trabalhadora, levava serviço até para casa”, pontuou.


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