Previsão indica mais chuva, mas calor preocupa para o início da safra de soja em MS

Dourados informa Luiz Guilherme


A abertura da janela oficial para o plantio da safra de soja em Mato Grosso do Sul, prevista para setembro, deverá ocorrer sob a influência do fenômeno El Niño, cuja formação já foi confirmada e apresenta tendência de fortalecimento ao longo do segundo semestre de 2026. Embora a expectativa seja de chuvas acima da média, os produtores rurais devem ficar atentos devido às altas temperaturas e à possível irregularidade na distribuição das precipitações.

Segundo informações do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), a previsão para o trimestre de agosto, setembro e outubro é de volumes de chuva ligeiramente superiores à média histórica. No entanto, a regularidade dessas precipitações será determinante para garantir boas condições de semeadura.

O Centro de Monitoramento destaca que agosto e boa parte de setembro ainda fazem parte do período de transição entre a estação seca e o início da estação chuvosa. A previsão aponta temperaturas persistentemente acima da média e alta probabilidade de ondas de calor, fatores que aumentam a evaporação da água e reduzem rapidamente a umidade do solo.

Apesar desses desafios, as análises climáticas indicam um cenário mais favorável do que o registrado no mesmo período de 2025, principalmente nas regiões sul, central e leste do estado. Caso as chuvas previstas ocorram de forma regular, aumentam as possibilidades de antecipação do plantio, especialmente em áreas com boa cobertura vegetal e maior capacidade de retenção de água.

Implantação da lavoura exige atenção

Do ponto de vista agronômico, a fase de implantação da soja é considerada uma das mais críticas do ciclo produtivo. A cultura depende de umidade suficiente para garantir a germinação das sementes, por isso, quando há calor intenso combinado com chuvas irregulares, cresce o risco de falhas no estande das plantas, necessidade de replantio e redução do potencial produtivo.

Por outro lado, a semeadura realizada logo após o estabelecimento das chuvas oferece vantagens importantes. Em MS, onde predominam cultivares com ciclos entre 90 e 120 dias, o plantio entre a segunda quinzena de setembro e o início de outubro favorece que as fases de florescimento, formação de vagens e enchimento dos grãos coincidam com períodos historicamente mais favoráveis em disponibilidade hídrica.

Outro benefício é a redução dos riscos relacionados à ferrugem-asiática, já que parte do desenvolvimento da cultura ocorre em um período de menor pressão da doença. Além disso, a antecipação da semeadura amplia a janela para o cultivo do milho de segunda safra, aumentando as chances de plantio em condições climáticas mais adequadas.

O coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, ressalta que práticas conservacionistas podem reduzir os impactos das variações climáticas.

“Outro diferencial está na adoção de sistemas conservacionistas. Áreas conduzidas com boa cobertura de palhada, maior teor de matéria orgânica e adequada estrutura física do solo apresentam maior capacidade de infiltração e armazenamento de água, reduzindo os impactos de eventuais irregularidades climáticas e proporcionando maior estabilidade produtiva”.

Diante das previsões, a recomendação é que os produtores acompanhem constantemente os boletins meteorológicos, verifiquem a umidade do solo antes de iniciar a semeadura e adotem práticas de manejo que preservem a cobertura vegetal, garantindo maior segurança no estabelecimento da nova safra.


Comentários